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O Uso da Creatina no Remo

Lívia Pinto

Graduada em Educação Fisica – UFRJ (2001)


Acerca de uma década, o uso de suplementos de creatina tem aumentado no meio atlético. Diversos estudos confirmam que para alguns atletas, sob certas condições, a ingestão de creatina pode aumentar a força e também a massa magra.


Um cientista francês registrou a creatina como um componente da carne, em 1835. Ela é um aminoácido derivado dos aminoácidos glicina, arginina e metionina (Balsom et al., 1994; William et al., 1999). A necessidade diária de creatina é de aproximadamente 2 a 3g, metade é obtida da dieta, principalmente da carne e peixe, enquanto o restante é sintetizado (Williams et al., 1999). Alguns vegetais também contém creatina, mas em quantidades desprezíveis. No mercado esta substância está disponível na forma de cápsulas, pó e líquida.


Após a ingestão ou síntese de creatina, cerca de 95% é transportado para os músculos esqueléticos via corrente sanguínea, e os outros 5% são encaminhados para o coração e cérebro. No músculo, 2/3 de creatina junta-se ao fósforo para formar a creatina-fosfato (CP), ou fosfocreatina.


Na teoria, um aumento nos estoques de creatina ou fosfocreatina melhoraria a capacidade de produzir energia durante o exercício de alta intensidade, assim como aprimoraria o processo de recuperação desse mesmo exercício. Não tem sido encontrado que a suplementação de creatina dê vantagem competitiva aos atletas de endurance. Lembrando-se que a CP é usada como um combustível muscular em exercícios intensos e de curta duração, ao contrário de eventos prolongados de intensidade mais baixa (Hagerman et al., 2000).


A suplementação de creatina com 20g/dia ou 0.3g/Kg/dia durante 4 a 7 dias, tem aumentado a creatina intramuscular e a fosfocreatina de 10 a 30%.

A maioria dos estudos indicam que o uso da creatina a curto prazo aumenta a massa corporal (Hultman et al., 1996; Williams et al., 1999), e o desempenho realizado durante múltiplas séries de contrações musculares máximas (Greenhaff et al., 1993a; Volek et al., 1997), e a capacidade de realizar ?sprints? simples e/ou repetidos (Prevost et al., 1997; Grindstaff et al., 1997; Birch et al., 1994).


A suplementação de creatina a longo prazo durante a treinamento tem promovido grandes ganhos na força e nos desempenhos de velocidade.


A maioria das pesquisas sobre creatina não tem estudado especificamente seu impacto em remadores. O único estudo registrado na literatura que relata o efeito do uso de creatina em remadores foi feito no início da década de 90, em Birmigham (UK). Participaram do experimento 28 homens e 10 mulheres, todos de clubes competitivos de remo. Foram administrados durante 5 dias uma dose de 0.25g/Kg de creatina ou placebo aos atletas, que após este período realizaram um teste de 1000m no remoergômetro (Rossiter et al, 1996).


Houve melhora na performance dos remadores que usaram creatina? Sim, mas apenas 1% (2-3 seg. a menos), o que não foi estatisticamente significante para se considerar uma boa melhora. Contudo, nas 5 sessões de 2000m realizadas, os 600 a 1000m finais foram remados significantemente mais rápidos pelo grupo de creatina comparado ao grupo placebo. Segundo a pesquisa, a suplementação de creatina para remadores pode dar uma pequena vantagem na performance, especialmente nos estágios finais do percurso.


A creatina é mais eficaz quando o período de recuperação entre as séries de esforço é menor que 5 minutos, uma situação que não dá ao músculo tempo suficiente para resintetizar grandes quantidades de CP.


Parece ser seguro a ingestão de 100g de creatina num período de 5 dias (20-25g por dia), como sugerem os fabricantes. Alguns efeitos colaterais têm sido registrados pelos usuários, tais como: diarréia, desidratação, cãibra, dor gastrointestinal e rápido aumento de peso, sendo que este último pode ser devido à retenção de água.

Outros sinais de precaução tem sido levantados a respeito da segurança do uso de creatina a longo prazo, em particular o seu efeito sobre fígado e rins. É aconselhável portanto que qualquer pessoa com algum problema renal evite a suplementação de creatina para prevenir um estresse maior ao organismo. Temos a seguir mais algumas sugestões para a suplementação de creatina:

v 15-25g/dia por 7 a 140 dias

v 20-25g/dia por 5 a 7 dias, seguidos de uma fase de manutenção de 3 a 10g por dia.

v 8g/dia por 21 dias ou 5g/dia por 70 dias (baixa dose contínua). Este tipo de protocolo pode ser preferido por um iniciante, pois os efeitos negativos são menos prováveis de ocorrer.


Apesar de diversos estudos científicos descreverem a creatina como recurso ergogênico, apontando suas vantagens e desvantagens, vemos que este assunto requer maiores investigações , especialmente em associação com o remo, do qual se verifica poucos relatos sobre o uso de creatina.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- Hagerman, M. T., Robertson, D. (2000). Creatine Monohydrate: Performance Enhancer or Expensive Urine? Ohio University Department of Foods and Nutrition.

- Williams, M. H., Kreider, R. B., Branch, J. D.(1999). Creatine: The Power Supplement. Champaign, Llinois: Human Kinetics

- Volek, J. S., Kraemer, W. J., Bush, J. ª et al (1997). Creatine Supplementation Enhances Muscular Performance During High-intensity Resistance Exercise. Journal of the American Dietetic Association 97, 765-70.

- Prevost, M. C., Nelson, ª G.,Morris, G. S. (1997). Creatine Supplementation Enhances Intermittent Work Performance. Research Quaterly for Exercise and Sport – 68, 233-40.

- Grindstaff, P. D., Kreider, R., Bishop, R et al (1997). Effects of Creatine Supplementation on Repetitive Sprint Performance and Body Composition in Competitive Swimmers. International Journal of Sports Nutrition – 7, 330-46.

- Hultman, E., Soderland, K., Timmons, J. ª (1996). Muscle Creatine Loading in Men. Journal of Applied Physiology – 81, 232-7.

- Rossiter, H. B., Cannel, E. R., and Jakeman, P. M. (1996). The Effect of Oral Creatine Supplementation on the 1000-m performance of Competitive Rowers. Journal of Sports Science 14: 175-179.

- Balsom, P., Soderlund, K., Ekblom, B. (1994). Creatine in Humans with Special Reference to Creatine Supplementation. Sports Medicine 18, 268-80.

- Greenhaff, P. L., Casey, ª, Short, ª et al (1993a). Influence of Oral Creatine Supplementation on Muscle Torque During Repeated Bouts of Maximal Volume Exercise in Man. Clinical Science 84, 565-71.

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