Club Atlhetico Paulistano - Remo
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NOTAS SOBRE APRIMORAMENTO TÉCNICO NO REMO

Ricardo Diefenthaeler *

O remo é a forma mais eficaz de deslocamento na água usando apenas o corpo como elemento propulsor. A longa história do remo como esporte mostra uma incessante busca de obter maiores velocidades de deslocamento com menor esforço, seja através do uso de novos materiais, desenhos de barcos e remos mais eficientes, inovações na preparação física ou na técnica de remada.

É muito comum vermos em nossos clubes de remo atletas empregando o máximo do seu esforço no aprimoramento físico e dirigentes empenhados em dispor do material mais moderno, enquanto o aspecto técnico é relegado a um plano secundário. Como resultado, podemos chegar ao paradoxo de formarmos remadores bem preparados do ponto de vista físico, remando com grande aplicação de energia em barcos velozes, mas de forma tecnicamente deficiente. Ou seja, são eficientes (remam com força e em alto ritmo), mas não eficazes (não obtém o deslocamento mais veloz do barco).

A literatura sobre o remo, outrora escassa e pouco acessível, começa a se tornar mais corrente, sobretudo nos EUA e na Inglaterra, permitindo aos que não são técnicos de remo mas que possuem algum conhecimento prático tenham acesso a informações técnicas e de treinamento. Buscando consolidar informações colhidas em um conjunto pequeno mas abrangente de publicações, tomei algumas notas para uso pessoal e, percebendo que poderiam ser úteis a outros remadores e aficionados ao remo, as organizei no material que se segue.
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* Sobre o autor: tenho 33 anos e pratico remo em Porto Alegre desde 1979. Comecei competindo pelo Vasco da Gama de Porto Alegre e depois pelo G.N. União. Nesse período conquistei diversos campeonatos estaduais, copas-sul, regatas internacionais e, em 1987, fui Campeão Brasileiro de Quatro-Sem Peso-Leve. Depois de alguns anos longe do remo, retomei o esporte como atividade física e de lazer no GPA (clube onde tenho um skiff particular). Desde 1997 tenho participado de competições nacionais e internacionais na categoria Master.

1. IMPORTÂNCIA E BASES DA BOA TÉCNICA

As regatas são vencidas incrementalmente, remada a remada. A vitória resulta de uma soma de "pequenos efeitos". Numa prova de 2.000 m em um 8+, uma guarnição executa aproximadamente 200 remadas. Assim, em cada remada o barco avança 10 m. Supondo que uma guarnição reme apenas 1% melhor que as adversárias, em cada remada avançará 5 cm a mais do que as outras, o que resultará em uma vantagem final de 10 metros.

Somente quando vemos um remador remando com alta técnica é que o movimento da remada pode parecer fácil. Na verdade, a remada se constitui de uma seqüência de movimentos complexos que devem ser cuidadosamente orquestrados.

A boa técnica é de difícil aprendizado e rápido esquecimento e quanto mais remamos com defeitos, mais difícil será a correção
O barco é o mais eficiente treinador. É necessário senti-lo, focando toda a atenção a ele
O segredo de uma boa técnica pode ser resumido em duas palavras: CONCENTRAÇÃO e RELAXAMENTO.

A consistência da remada vem da CONCENTRAÇÃO. O controle mental é muito importante para a qualidade técnica da remada. O barco responde aos movimentos do corpo e o corpo segue o que a mente determina. Se a mente oscila, o barco oscilará, mas ela dirige o corpo, o barco se desloca da forma mais econômica e rápida
Para atingir o máximo de velocidade do barco, é necessário maximizar a aplicação horizontal de força durante a fase propulsiva da remada e minimizar o efeito do movimento da guarnição na ida à proa. Todos os movimentos desnecessários na remada ("ruídos") devem ser omitidos. Mais torna-se menos. Esta é a idéia de ECONOMIA DO MOVIMENTO. Um remador rígido e tenso está desperdiçando energia física e mental e impedindo o barco de deslizar suavemente na ida à proa (recuperação). Enquanto a capacidade física tem seus limites, a economia de movimentos não os tem
A remada de qualidade é atingida quando a energia do remador é usada de forma eficiente e o barco trabalha a favor do deslocamento. O barco é muito mais eficiente quando se desloca na linha d'água para a qual foi projetado, com o menor movimento de inclinação possível. Para atingir este estado, é preciso remar conectado e remar silenciosamente:

Remar "CONECTADO": os remos (e em particular as pás) conectam-se ao barco através do corpo do remador (ligando-se ao barco pelas pedaleiras). Para melhor conexão, deve-se remar leve no carrinho, elevando o corpo a partir dos cabos dos remos, colocando pressão sobre as pedaleiras. Manter o peso sobre os cabos durante toda a passada na água (dá para ter uma sensação clara disto remando com os pés fora da pedaleira)
Remar "SILENCIOSAMENTE": remar à pressão máxima dando a impressão de que está passeando (remar fácil). Fazer audível apenas a pegada e o afastamento.
2. O CICLO DA REMADA

A remada é um ciclo. Não deve haver rupturas de movimento que permitam dizer que uma parte da remada iniciou e outra terminou. O objetivo é fazer um movimento homogêneo e contínuo que leve de uma ponto a outro e de uma remada a outra, de forma absolutamente integrada, ou, para referir um termo já utilizado, de forma "conectada".

Entretanto, para fins de explanação, podemos dividir a remada em fases e analisar os aspectos de cada fase separadamente, quais sejam: pegada (ou entrada da pá), puxada (ou fase propulsiva), final (ou extração da pá) e recuperação.

2.1 PEGADA OU ENTRADA DA PÁ (catch)

A pegada é a parte do ciclo da remada na qual a pá entra na água. Na pegada o barco encontra-se no estado mais lento de deslocamento e na situação mais precária em termos de equilíbrio. É nesse ponto que a musculatura mais potente, das pernas, é usada para impulsionar mais uma vez o barco. O objetivo a perseguir na pegada é garantir que o barco não perca velocidade quando a direção do movimento é invertida.

Uma boa pegada é talvez a parte mais difícil para uma remada eficaz. A pegada perfeita é parte movimento, parte temporização (timing); parte trabalho de corpo parte trabalho de pá:

Trabalho de pá: a pá deve estar totalmente armada antes de o remador estar na posição de pegada. Tudo o que ele terá a fazer é tirar o peso das mãos sobre os cabos, fazendo com que os braços se elevem levemente. As pás estão em pé, o corpo está totalmente "comprimido" e os braços estão estendidos. Não é preciso levantar os braços efetivamente, basta tirar o seu peso dos cabos e o peso das pás irá colocar os remos na água na profundidade devida. Neste momento, as pás não precisam ser cobertas pela água, porque tão logo se comece a puxar, as pás irão criar uma "parede de água". O remador permite que a pegada aconteça e não a força a acontecer
Trabalho de corpo: já antes da pegada os braços devem estar estendidos, os ombros devem estar "para a frente" e as costas inclinadas, projetando-se a partir dos quadris (no remo de ponta a inclinação é maior do que no remo duplo, mas em nenhum caso deve-se estar "corcunda"). A cabeça deve estar ereta e com os olhos na ré. Os joelhos devem estar afastados de forma natural, nem de mais, nem de menos. A parte inferior da perna deve estar na vertical. O corpo inteiro deve estar relaxado mas não mole. No remo de ponta, o ombro de fora deve estar rotacionado em direção à braçadeira seguindo a linha do cabo do remo e deve estar ligeiramente mais alto que o ombro de dentro. Já no remo duplo, os ombros devem estar na mesma altura e não deve haver muita distância entre o polegar e os demais dedos (para não se perder alavanca)
Timing: é preciso temporizar a pegada para colocar as pás na água na mesma velocidade de deslocamento do barco, revertendo a direção de deslocamento instantaneamente, sem frear o barco. O jogar água para trás com as pás na pegada é um indicador deste timing, ao menos para quem se inicia nesta técnica. Se as pás entram na água antes de o corpo estar preparado para a pegada ou a puxada começa antes de as pás estarem calçadas na água, o barco sofre uma desaceleração. Quando a direção é revertida, as pás devem estar "ancoradas" (ou calçadas) na água e conectadas através do corpo às pedaleiras
A ré do barco deve ficar completamente imóvel do momento anterior à colocação da pá na água até o início da puxada. Ela não deve "sacudir" de um lado para outro nem pular para cima ou para baixo. Para verificar este requisito, pode-se:
filmar ou olhar a ré enquanto se rema;
observar a esteira formada pela ré na água (deve ser estável e fluente)
passar um cordão de sapato da parte mais à ré da braçadeira de bom-bordo para a braçadeira de boreste. Isto faz com que a esteira fique mais intensa, facilitando a observação. Se a esteira é contínua e não diminui drasticamente ou desaparece, a remada está OK. Caso contrário (se há rupturas na esteira), o barco não está com um andamento contínuo (fenômeno conhecido como stern check)
fixar um canudo branco saindo 5 polegadas da ré: observar o canudo sobre a água durante a remada. Se a ponta do canudo se move suavemente e em velocidade constante na direção do remador durante a ida à proa, a remada está OK. Se ele se move de forma desigual e parece hesitar, há que suavizar a remada
Outra forma de avaliar a pegada do remador, é fazê-lo sair parado do final e ir à proa com as pás deitadas, com as pás em pé ou "pegando no ar" (conforme a segurança do remador): verificar se a ré se move para trás antes de se mover para a frente. Cada polegada movida para trás resulta numa diferença de um barco em uma prova de 2.000 m

2.2 PUXADA OU FASE PROPULSIVA (drive)

A puxada é a parte do ciclo da remada na qual o remador aplica força ao remo, primeiro através das pernas, seguidas pelo tronco e, finalmente, pelos braços.

Esta fase deve ser iniciada por uma forte aceleração da musculatura da perna. As costas e a musculatura abdominal devem estar "apoiadas" para suportar a ligação que se forma entre as pás e as pernas. Se este apoio for frágil, o remador vai "escapar o carrinho", com grande perda na propulsão do barco. À medida que as pernas são empurradas, os ombros começam a acelerar em direção à proa. Quando os ombros começam a atingir o final, os braços entram no movimento e puxam com intensidade os remos em direção ao corpo, buscando manter a aceleração das pás para o final. Deve-se chamar a atenção para o fato de que no remo de ponta, o braço e ombro de fora, dão a máxima alavanca à pá (por isso o seu trabalho deve ser enfatizado). No final da puxada, o corpo deve estar em uma posição relaxada mas reta, levemente inclinada para trás. No remo de ponta, o ombro de fora, da mesma forma que na pegada, deve estar ligeiramente mais alto que o de dentro e, deve-se cuidar para que o braço de fora não abra, se distanciando demasiadamente do corpo.

Diferentemente do remo de ponta, em que a seqüência da remada é pernas-costas-braços, no remo duplo a seqüência é pernas-costas-ombros-braços. Tão logo as pernas iniciam seu movimento, o corpo deve começar a se "abrir para trás", usando intensamente a musculatura dos ombros para, então, usar os braços. Observe-se que a mão esquerda passa ligeiramente por cima e depois da direita e que a pedaleira deve ser ajustada de forma que os remos não passem do corpo no final.

Observações importantes:

No remo duplo, não há um consenso sobre o quanto o corpo deve se inclinar no final
O uso dos ombros é importante no remo duplo porque constitui a única maneira de manter a aceleração das pás para o final. Por isso a parte superior do corpo do remador de remo duplo deve ser forte
Controle do corpo: na puxada uma postura de corpo mais reto permite uma melhor conexão entre as pernas e braços, usando melhor o peso sobre os remos, além de abrir o pulmão e o diafragma, melhorando a oxigenação
Tem-se melhor resultado caso se aplique a força sobre toda a pedaleira ao invés de concentrar-se a aplicação sobre a ponta da pedaleira

2.3 FINAL OU EXTRAÇÃO DA PÁ (finish ou release)

No remo de ponta, a extração da pá é feita pela mão de fora, com um movimento rápido para baixo até que a pá saia da água. O cabo do remo nunca deve tocar o corpo, porque isto causaria uma ruptura no fluxo da remada. Com a pá fora da água, a mão de fora empurra o cabo afastando-o do corpo e a mão de dentro vira o cabo, colocando a pá na horizontal (a mão de dentro faz o molinete). É importante que a pá esteja fora da água antes que o molinete seja feito, caso contrário o remo pode ficar "preso" e o equilíbrio do barco pode ser perturbado. O movimento de afastamento do cabo para longe do corpo, ao contrário do que muitos pensam, deve ser feito na mesma velocidade da puxada. Movimentos mais rápidos irão apenas travar o barco. A aceleração é feita durante a puxada, do início para o final e não depois que a pá já saiu da água.

As mesmas considerações valem para o remo duplo. Observe-se, no entanto, que o molinete no remo duplo é feito através da rolagem dos cabos dos remos, usando o polegar e os demais dedos, da base da mão para os dedos.

Observações importantes:

O objetivo maior do final é tirar a pá da água sem sacrificar o trabalho de deslocamento feito na puxada
Arredondamento: o afastamento deve ser arredondado de forma que a pá não fique presa no final. O remador deve assegurar-se que está tirando o remo da água com a pá em pé
Numa visão macro, o afastamento e molinete constituem um movimento "para baixo" e "para longe" do corpo. Numa visão micro, o cabo repousa nos dedos quando o remador começa a mover os braços para longe do corpo
O movimento "para baixo" deve ser minimizado. Ele deve ser executado como uma leve batida com as mãos para baixo de uma polegada e não usando mãos e ombros no movimento para baixo

2.4 RECUPERAÇÃO (recovery)

Parte do ciclo da remada que vai do afastamento até o ponto em que o remo está prestes a entrar na água. É o que chamamos de "ida à proa". Nesta fase são cumpridas duas funções importantes: o deslocamento até a proa e a recuperação (relaxamento) do remador.

A tradicional seqüência de mãos-corpo-carrinho continua válida até hoje. Os braços devem ser afastados do corpo até estarem totalmente estendidos, o corpo deve ser projetado dos quadris até atingir a correta posição para a pegada e só então deve se iniciar a flexão dos joelhos e o movimento do carrinho nos trilhos. É imperativo que as mãos tenham passado os joelhos para que inicie o movimento do carrinho.

À medida que o corpo se projeta para a frente a partir dos quadris, o peso é transferido para os dedos dos pés. Este é um dos mais importantes aspectos de todo o movimento da remada, particularmente em barcos compostos. Falhas de sincronia entre os remadores na transferência de peso para a ré desaceleram o barco. Por isso, todos remadores devem iniciar o movimento de carrinho ao mesmo tempo, o que parece óbvio mas na prática muitas vezes não acontece.

A velocidade do carrinho em direção à proa deve ser controlada e, mais uma vez, proporcional à velocidade de deslocamento do barco. É importante que à medida que o remador se aproxima da proa vá se preparando para mudar rapidamente de direção. Se o remador "correr de carro", além de impor uma desaceleração pelo movimento desproporcional à velocidade do barco, chegará à proa sem estar preparado para bem executar a pegada.

Observe-se que no remo duplo a mão esquerda vai ligeiramente adiante da direita na recuperação.

3. EXERCÍCIOS DE APRIMORAMENTO TÉCNICO

Embora muitos atletas vejam os exercícios técnicos apenas como uma aborrecedora preparação para o trabalho físico nos treinamentos em água, eles são uma importante ferramenta no desenvolvimento de uma boa técnica. Eles exigem uma boa dose de paciência e perseverança mas a recompensa é uma técnica mais aprimorada, o que significa guarnições mais rápidas.

Uma observação importante é que os exercícios não devem ser feitos apenas como forma de aquecimento. Para bons resultados, devem ser feitos com os remadores já aquecidos. Podem (e devem) ser feitos também quando se rema na pressão máxima e até mesmo em piques.

3.1 PARADA: visa identificar e corrigir erros pontuais na remada. Bastante interessante para iniciantes

Remar à meia força fazendo parada sempre em determinado ponto
Ao parar, revisar o que foi feito naquela remada e decidir que modificações serão feitas para a próxima
À medida que os erros vão sendo dominados e a remada correta vais sendo incorporada passar a parar de 2 em 2 remadas, de 3 em 3 e, após, passar a remar continuamente, sempre focalizando os pontos corrigidos

3.2 PARADA NO FINAL: variação do exercício anterior, direcionada em especial ao aprimoramento da temporização (timing) da ida à proa, entrada das pás na água e conexão durante a puxada. Particularmente importante em barcos compostos, para uniformizar os movimentos da guarnição, sobretudo a transferência de peso da proa para a ré após o afastamento.

Fixar os olhos na ré, fazer a seqüência trilhos-pegada-puxada, parando com os remos no corpo logo após retirada da pá da água ou com os braços esticados, logo após o afastamento
Deixar o barco deslizar até parar e, então, repetir o movimento
Verificar se uma esteira em forma de V se forma imediatamente após a pegada e o início da puxada. Caso negativo, há uma ruptura na conexão de aplicação da força (stern check)
Verificar se a ré está se movendo para trás na pegada. Caso positivo, tentar:
Inclinar o corpo para frente antes de iniciar o deslocamento do carrinho para a pegada
Relaxar mais na seqüência de movimento
"Tirar o peso" dos cabos mais cedo para fazer a pegada

3.3 AFASTAMENTO RÁPIDO: visa incorporar o afastamento rápido à remada. Pode ser feito em todos os treinos (por uns 5 min)

Remar à qualquer força e fazer afastamento duas vezes mais rápido do que o normal

3.4 REMAR SEM MOLINETE: visa melhorar o arredondamento de pá no afastamento e garantir que a pá está saindo da água em pé. Pode ser feito em todos os treinos por alguns minutos, até quando se está remando forte e/ou em voga alta (para incorporar o hábito em velocidade de regata). É talvez um dos melhores exercícios que um remador pode fazer de forma regular no seu treinamento.

Remar sem fazer molinete no final, cuidando para que os remos sejam puxados em cima e, então, rápida mas suavemente as mãos sejam empurradas para baixo e para longe do corpo.
Observar que não é necessário fazer muita pressão para baixo para retirar as pás da água no final. Esta pressão causa distúrbio no deslocamento do barco e constitui um desperdício de energia

3.5 SEGURAR O REMO FORA DOS PUNHOS: visa ajuda no aprendizado dos movimentos corretos já que exagera os mesmos. Bastante interessante para iniciantes

Remar continuamente à baixa pressão segurando o remo na madeira ou fibra (fora dos punhos), sentindo as mãos armarem a pá, se elevarem na pegada e arrendondarem no afastamento

3.6 REMAR COM OS PÉS SOLTOS DA PEDALEIRA: visa favorecer uma melhor conexão durante a puxada e um afastamento e ida à proa tão suave e limpo quanto possível. Este exercício deve se tornar uma prática de rotina no início da temporada uma ou duas vezes por semana

Tirar os pés da pedaleira ou tênis e remar continuamente em voga baixa com pouca pressão
Pode-se fazer este exercício no início do treino, começando de braço, braço-e-tronco, meio-carro e aberto, passando a aumentar a pressão até 3/4

3.7 REMAR SEM FLEXIONAR OS BRAÇOS (BRAÇOS PERMANENTEMENTE ESTENDIDOS): visa desenvolver uma pegada mais rápida e eliminar problemas causados por não estender to

talmente os braços na pegada. É indicado em particular para o início de temporada.

Fazer a pegada de forma normal mas finalizar a remada sem a flexão dos braços, quando as pernas estão esticadas e as costas se projetam para a proa
Observar a esteira formada pela ré e verificar se há rupturas (stern check)
Remar alguns minutos e passar a alternar com a remada normal para sentir a diferença

3.8 REMAR SEM PRESSÃO NA PEGADA E À 1/4 DE PRESSÃO NO FINAL: visa aprimorar a conexão da puxada no final e enfatizar a sensação de acelerar durante a puxada (de forma que ao final o barco esteja em sua velocidade mais alta). Serve também para mostrar como o afastamento pode se tornar fácil se toda a puxada for conectada até o final

Remar continuamente mas sem pressão na pegada, aumentando a pressão para 1/4 (ou mais) no final
Uma variação é iniciar o treino de braço, braço-e-tronco e meio-carro, sempre acelerando para o final e mantendo a concentração

3.9 MOINHO: visa permitir uma maior percepção da "tirada de peso" das mãos sobre os cabos na pegada. Não é um exercício para iniciantes, pois é muito fácil virar o barco caso o remador não tenha domínio suficiente

Remar em voga baixa à meia-força, pressionando os cabos para baixo logo após o afastamento, deixando as pás subirem mais do que o normal. Após iniciar o movimento do carrinho, ir tirando o peso dos cabos devagar. Preparar as pás e tirar totalmente o peso das mãos sobre os cabos, até as pás entrarem na água
Alternar 10 remadas "moinho" com 10 normais, sentindo as diferenças e as semelhanças

3.10 REMAR COM APENAS UMA DAS MÃOS (para remo de ponta): visa diferenciar o papel de cada uma das mãos no remo de ponta. Ao remar apenas com a mão (e o ombro) de fora o remador exercita a extração da pá, evidenciando como é necessário empreender pouco esforço para tal, garantindo uma suave transição de uma remada para a outra. Ao remar com a mão de dentro, o remador estará exercitando o movimento do molinete.

Este exercício pode ser feito alternando remadas só com a mão de fora e só com a mão de dentro
Não se deve exagerar nas remadas apenas com a mão de dentro porque é difícil suportar o peso do remo apenas com a mão de dentro

3.11 REMAR COM OS OLHOS FECHADOS: visa aprimorar a capacidade de sentir o barco (como dito anteriormente, o barco é o melhor professor). Neste exercício a concentração é vital, prestando-se muita atenção ao timing da remada e procurando minimizar todo e qualquer ruído (em sentido amplo) que atrapalhem o bom andamento do barco.

4. ADAPTANDO-SE ÀS CONDIÇÕES DE VENTO e DICAS PARA INICIANTES

De acordo com as condições de vento, pode ser conveniente que a guarnição faça ajustes em sua técnica, como os que se seguem:

vento de proa: procurar afastar mais rápido e retardar a preparação da pá na pegada
vento de ré: evitar uma corrida de carro na ida à proa
vento de lado (talvez o pior vento, sobretudo quando se formas marolas de lado): manter um ótimo controle da altura dos cabos (sobretudo na pegada), aumentar a pressão nos cabos e pedaleira, bem como no final da remada e não tentar equilibrar o barco com as pernas (usar os cabos)
Para quem se inicia na arte de remar, fazem-se as seguintes observações:

O uso de remos de fibra não é recomendado para iniciantes por dificultar o equilíbrio
Concentrar-se na seqüência pernas-costas-braços
Relaxar os ombros e não apertar demasiadamente o cabo do remo
O sucesso nos esportes, assim como nas outras coisas da vida, não envolve nada de tão especial: apenas todas as pequenas coisas realizadas em uma base diária

5. BIBLIOGRAFIA

LAMBERT, Craig. Mind Over Water - Lessons on life from the art of rowing. New York: Houghton Mifflin Company, 1998. 184 p.
McARTHUR, John. High Performance Rowing. Ramsbury: The Crowood Press, 1997. 156 p.
PADUDA, Joe. The Art of Sculling. Camden: McGraw-Hill, 1992. 149 p.






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