Club Atlhetico Paulistano - Remo
Noticias/Histórico/Títulos/Infra-estrutura/Horários/
Fotos/Atletas/Artigos/Links/E-mail
O CLUBE VIRTUAL

Por Wilson Reeberg e José Luiz Emerin

A partir dos anos 60, vários clubes brasileiros fecharam as suas portas, engolidos por aterros, construções de avenidas, poluição de rios e baías, favelização e encarecimento do material desportivo, sem contar os os estragos feitos pela valorização imobiliária, que levou clubes a venderem as suas sedes.Não há mais lugar para a construção de garagens dentro das grandes cidades e, sob o aspecto financeiro, a quase totalidade dos clubes que existem mal se agüenta de pé. O remo vem encolhendo ano após ano, no Brasil.

Junto com o fechamento dos clubes, vão desaparecendo os remadores.Como se isso fosse pouco, muitos remadores têm a carreira encurtada porque se desentenderam com seu técnico, ou porque foram cortados por razões de economia e não interessam a outros clubes.E as regatas, que em qualquer Estado costumam ter apenas dois ou três concorrentes por prova?Não seria preferível que esses remadores se mantivessem em atividade, já que o número de remadores no país é tão pequeno?

Paradoxalmente, há países sujeitos aos mesmos tipos de problemas, onde o remo tem crescido num ritmo impressionante: os Estados Unidos, por exemplo.

O que faz um remador norte-americano que não pertence a um clube ou universidade e quer competir? Como consegue remar? Simplesmente compra o seu barco – que tanto pode ser um skiff, um double ou até um oito – guarda-o em algum lugar e pode competir em qualquer regata, bastando pagar a taxa de inscrição. Não precisa ser atleta de nenhum clube, nem filiado à federação nacional, a US Rowing. Somente a participação em campeonatos regionais e nacionais requer filiação à confederação. Não existem federações estaduais, num país que é tão vasto quanto o Brasil e onde o número de remadores é incomparavelmente maior.

Outra coisa importante: qualquer pessoa física pode organizar uma regata, sem precisar requerer licença de A ou de B. Isto permite um calendário variado, sendo comum a realização de mais de trinta regatas por ano apenas num estado. É normal haver uma competição no sábado em uma cidade, e outra no domingo, em outra cidade distante algumas dezenas de quilômetros apenas. Regatas de mar misturam-se com regatas de velocidade, longa distância, 1000m, 2000m, guarnições mistas, barcos olímpicos, canoes e uma variedade de tipos de barcos a remo recreativos, inclusive baleeiras, escaleres e provas para paraplégicos. Redwood Shores, por exemplo, palco de importantes regatas no norte da Califórnia, possui apenas 1700m e duas raias, obrigando a utilização de dezenas de eliminatórias. Mas o local é belíssimo, oferece conforto ao público e abrigo do vento, por ser um braço de mar que adentra um condomínio. O que importa é gerar uma grande massa praticante utilizando todos os recursos disponíveis.

Num toque de brilhante senso de oportunidade, é comum as regatas destinarem uma prova à participação exclusiva dos patrocinadores. Seja num escaler ou num quatro-com, os funcionários e convidados dos patrocinadores podem sentir a emoção de competir em remo. Às vezes há a necessidade de iniciá-los no esporte e a prova é arduamente disputada, entre enforcadas e escapadas de carro, numa voga de 24 rem/min, com intensa participação da torcida. Depois de tal inesquecível peripécia, dificilmente o patrocinador deixa de retornar no ano seguinte.

Todas essas facilidades levam à criação de CLUBES VIRTUAIS. Trata-se de um grupo de remadores, ou de só um remador, que não tem clube com sede física, nem estatuto, nem diretores, nem lancha, nem técnico. Às vezes não tem nem barcos,tem apenas a vontade de remar.

Então, como eles fazem? Resposta: se não tem barco,alugam um. Se for preciso, tratam de obter de alguma forma o direito de usar as instalações de um clube que já existe. Mas, se for skiff, por exemplo, ele pode ir da garagem da casa para o teto do carro e dali direto para a água, e vice-versa. Carros com barcos a remo em cima são uma visão comum nas estradas dos EUA. Se necessitarem de um técnico, contratam um, temporário, ou participam de alguma das dezenas de clínicas de remo existentes no país de abril a outubro, em que é possível passar lá uma semana sendo acompanhado, treinado, filmado e analisado por algum técnico de renome ou atleta de calibre mundial.

Um exemplo desta forma de atuar é o Kent Mitchell Rowing Club.Seu patrimônio resume-se a um único barco, um oito Vespoli 1990, com os remos, que fica num cavalete a céu aberto.É um "clube" sem sede e sem nada, exceto o barco. Mitchell é um timoneiro, dono de duas medalhas olímpicas de ouro e uma de bronze, obtidas no dois com (1960, 64 e 68). Ele dedica-se a formar guarnições com ex-campeões olímpicos e mundiais para uma determinada regata. Em seu computador possui o histórico esportivo de todos os grandes remadores, sabe quem está em forma ou não, e só chama os melhores. Ser convidado por ele é uma honra e a vitória é quase certa.Neste ano (2000) suas guarnições já venceram seis provas.

Vejam o exemplo das corridas de rua, no Brasil:milhares de atletas participam delas.Desse total, quantos são vinculados a clubes e federações?A resposta é: quase ninguém! A quase totalidade treina por conta própria e corre atrás dos próprios patrocinadores.E o que é o clube senão mais um patrocinador?

Porque não fazemos o mesmo com o Remo?

Temos regulamentos demais, burocracia demais e resultados de menos.

Que tal criarmos também os nossos clubes virtuais e enchermos as raias?

IMPORTANTE: Se você for favorável às idéias contidas neste artigo, divulgue-o entre seus amigos e ponha uma cópia no quadro de avisos do seu clube.

ARTIGOS
MENU

Criada e desenvolvida por: Panayote Damilakos